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Os dias em que a Terra “quase parou”: Uma reflexão sobre o tempo...

Foto do escritor: Tais Barth
Tais Barth
17 de jul. de 2020
3 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2020


O ano é 2020, o ritmo do dia-a-dia é frenético, muitos lugares, atividades, para ver, fazer, conhecer. A tecnologia move o mundo. As pessoas estão conectadas por seus Smartphones, por vezes até, preferindo interagir online do que com que está bem ao lado. Não há tempo a perder, são 24 horas de opções. Estar em movimento, é crucial. A verdade é que nos acostumamos com esta dinâmica, e nem sentimos o tempo passar. Ficar parado, nos traz a sensação de “perder tempo”. E o mundo segue seu fluxo, sempre com uma novidade, com uma experiência. A imensidão da liberdade, de ir e vir, para onde quer que tenhamos a intensão, uma infinidade de portas abertas e conexão.


Eis que então, surge uma notícia de um vírus desconhecido, altamente contagioso, letal em certa medida, e que a princípio, não recebe muita atenção. A não ser para a população da China, onde teve início. Os dias seguiram seu curso. Mas, mês a mês, a transmissão do tal vírus cresceu e foi chamada de Epidemia. Neste momento alguns países principalmente da Europa, foram sentindo os impactos de uma nova rotina que estava surgindo. Palavras como Quarentena, Isolamento Social, começaram a surgir e ganhar espaço.


Pouco tempo depois, após 3 meses que 2020 havia começado, no dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde - OMS, declarou situação de Pandemia, ou seja, uma enfermidade amplamente disseminada de forma mundial. Neste momento, um vírus, invisível aos olhos, fechou fronteiras, países, pontes, portas! Para manter a saúde, foi preciso ficar em casa, se isolar. E pouco a pouco, não haviam mais parques, shoppings, lojas, bares, empresas abertas. O trabalho passou a ser feito em casa, assim como atividades de lazer, exercícios, e o contato com as pessoas passou a ser virtual. A Era das Lives como conexão.


De um dia para o outro, a Terra “quase parou”! De forma global, somente serviços considerados essenciais tiveram autorização para funcionar. Algumas pessoas ainda podiam sair de casa, mas para trabalhar. Os profissionais de saúde tornaram-se os super heróis do dia-a-dia, cuidando daquilo que mais importa, Vida, ou seja, tempo para existir! A sensação é de que, de repente, tudo parou. E a humanidade moderna se deparou com um contexto, tão único, que, o que se viu foi perplexidade. A liberdade de ir e vir foi restringida. E agora o que fazer com o Tempo?


Tiveram pessoas que negaram veementemente o perigo, e buscaram por continuar com a rotina que conheciam, sem isolamento, mascaras, ou álcool em gel. Outras se isolaram em casa, sem absolutamente sair. E ainda, quem resolveu, ou teve, que sair para atividades necessárias. Enfim, cada um lidou, à sua maneira, com a situação. Mas todos, de forma unanime, tiveram que lidar com o Tempo. O que fazer quando não se pode encontrar a família? Amigos? Viajar? Passear? Trabalhar? Comprar? Sem colocar em risco a segurança? Segurança de que se terá tempo para ver tudo isso passar? O Tempo se tornou um recurso visto a olho nu.


Um vírus, tirou a liberdade de milhões, e o tempo de todos aqueles que sucumbiram a doença. Daqueles que não verão o ano acabar e os próximos que virão. Ele trouxe a face da morte, daquilo que não controlamos, da finidade do Tempo que temos. Ele mudou, indubitavelmente, nossa relação a Vida, e com a forma de viver. Certamente, quando o isolamento passar e a liberdade for devolvida, não seremos os mesmos. Nossa relação, com as outras pessoas, não será igual. Talvez daremos maior importância ao tempo que estamos com a família, amigos, ou em grupo. Ou, quem sabe, sejamos mais gratos pela oportunidade simplesmente de poder conhecer lugares, ir e vir em segurança.


Não temos, como saber de que forma vamos sair deste momento, mas com certeza nossa relação com o Tempo, que está sendo colocada a prova, frente a uma iminência de finitude que espreita, será diferente. Afinal, o Tempo que temos hoje não será o de amanhã, e cabe a nós aproveitá-lo de formas a não desperdiçar, um recurso que é vital, e que pode ser utilizando de tantas maneiras, que muitas vezes, nem nos damos conta.


Podemos refletir que o Tempo não está lá fora. Ele está dentro de nós. E aproveitá-lo não depende do ambiente, porque ele não parou de passar, quando não foi possível mais sair. A pergunta que fica é: O que estamos fazendo com Tempo (de Vida) que temos? Afinal, o Tempo só acaba, quando acaba também a nossa existência.


 
 
 

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©2020 por Tais Barth_Psicologia Clínica Organizacional e do Trabalho.

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